Lá de onde ela pode ver as estrelas, as lembranças bailam em sua cabeça.
A culpa disso é da falta que ela sente de ver ele com os olhos do corpo, porque com os da alma, ela o vê todas as noites.
Ela sabe que como um legítimo Apanhador de Estrelas, ele pode observá-la sempre que quiser. Isso acontece porque lá de cima, ele enxerga melhor. Joga seu pó azulado no vento que é pra iluminar tudo e aumentar a nitidez. É que o pó faz tudo que ele toca brilhar mais bonito.
Ela fecha os olhos, tenta, faz força, mas ainda assim não pode vê-lo de perto. A imagem é sempre meio turva, confusa.
Aí ela sonha. E no sonho ele aparece. Fica ali do lado dela. Ela consegue até encostar a cabeça no ombro dele e contar o que vem de dentro.
Só que o sonho vai embora logo, e junto com ele a imagem daquele que ela gosta de ter por perto (mesmo que de longe).
Embora sinta falta dele, ela sabe que de alguma forma o Apanhador sempre está lhe vigiando. Assim como ela usa a magia dela pra cuidar dele também, sem que ele nem perceba.
Saudade ela sente.
Enxergar com a fé nem sempre é o bastante.
Mas quando se gosta de alguém que mora nas estrelas, tem-se que aprender a viver de sonho, a sentir com a alma e a ver com os olhos do coração...





